A Diocese de Jundiaí, no interior de São Paulo, anunciou a excomunhão do padre Rodrigo de Oliveira da Silva após constatar sua adesão à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, grupo católico ultraconservador que rompeu com a autoridade do Vaticano. A decisão foi comunicada pelo bispo diocesano, Dom Arnaldo Carvalheiro Neto.
Segundo a diocese, a situação do religioso passou a ser considerada de cisma após a fraternidade ordenar quatro bispos sem autorização do papa Leão XIV, em 1º de julho. No dia seguinte, o Dicastério para a Doutrina da Fé publicou um decreto e uma nota explicativa sobre as consequências canônicas das ordenações.
Em comunicado pastoral, Dom Arnaldo afirmou que a vinculação do padre à fraternidade o colocou em situação de cisma e excomunhão. Com isso, os atos praticados por Rodrigo no exercício do ministério sacerdotal são considerados ilícitos pela Igreja Católica.
A diocese destacou ainda que há consequências específicas para os sacramentos da Penitência e do Matrimônio. De acordo com a autoridade religiosa, as absolvições concedidas pelo padre e os casamentos celebrados por ele são considerados inválidos.
Padre criticava atuação de paróquias
Em uma publicação feita em abril, o sacerdote afirmou que gostaria de voltar a trabalhar em uma paróquia, mas criticou o que considerava uma perda da identidade católica em algumas comunidades.
Na ocasião, Rodrigo também declarou que pretendia permanecer próximo da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Naquele momento, porém, afirmou que ainda não era integrante oficial da organização e se descreveu como um padre amigo do grupo.
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X é uma organização católica ultratradicionalista fundada pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre. O grupo mantém uma longa disputa com a Santa Sé e passou a enfrentar uma nova crise com o Vaticano após a ordenação não autorizada de quatro bispos em julho deste ano.
A decisão contra Rodrigo ocorre em meio a outras medidas tomadas pela Igreja Católica contra sacerdotes ligados à fraternidade no Brasil. Em julho, outro padre brasileiro também teve sua excomunhão confirmada após se filiar ao grupo.





