Por Juliana Arreguy
(Folhapress) – A democracia é vista como a melhor forma de governo por 73% dos brasileiros, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (2). É uma alta em relação a dezembro de 2024, última vez que o instituto perguntou sobre o tema para os eleitores e 69% disseram preferir a democracia.
Para 15% dos entrevistados pelo instituto, tanto faz se o governo é uma democracia ou uma ditadura, enquanto 7% disseram que, em certas circunstâncias, a ditadura é preferível ao regime democrático. Outros 5% não souberam responder e 1% forneceu outras respostas.
O Datafolha ouviu 2.506 eleitores com 16 anos ou mais, distribuídos em 152 municípios brasileiros, entre os dias 29 de setembro e 1º de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa foi encomendada pela Folha e pela TV Globo e registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-08039/2026.
O menor número da série histórica, iniciada em 1989 após a redemocratização do país, ocorreu em fevereiro de 1992, quando 42% foram favoráveis ao regime democrático. Já o maior (79%) foi em outubro de 2022, na última eleição presidencial.
O apoio à democracia é de 76% entre eleitores de Lula (PT), e de 74% entre os de Flávio Bolsonaro (PL), candidatos que aparecem à frente do último Datafolha para a eleição presidencial.
Entre quem apoia Lula, os que defendem a ditadura em algumas circunstâncias representam 5%. Já entre eleitores de Flávio, o índice é de 9%.
A parcela de homens favoráveis à democracia (78%) é maior do que entre as mulheres (68%), e também superior na faixa etária dos 35 aos 44 anos (78%) em relação a quem tem entre 25 e 34 anos (68%).
O resultado ocorre num momento em que se monitora a possibilidade de intervenção estrangeira nas eleições brasileiras, em especial uma interferência de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, para favorecer Flávio.
O Brasil entrou há alguns meses no foco da Rockbridge Network, um grupo privado americano de direita fundado pelo vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance. Dois empresários ligados ao grupo ajudaram Flávio com serviços de apoio à sua candidatura e aconselhamento sobre a venda de infraestrutura de inteligência artificial.
Documentos sobre a instalação do grupo no país, inclusive, tratam da eleição presidencial.
Renan Santos, candidato do Missão à Presidência, acusa Flávio de ter a campanha financiada pela Rockbridge e por empresários estrangeiros interessados na exploração de terras raras. O PT também entrou com representações contra o grupo na Justiça Eleitoral.
Nesta sexta, o governo dos EUA suspendeu o atendimento em embaixadas e consulados no Brasil alegando questões de segurança, mas sem fornecer explicações.




