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PF bloqueia R$ 670 mi em operação contra Digimais, banco do bispo Edir Macedo


Por José Marques

(Folhapress) – A Polícia Federal cumpre nesta terça-feira (23) nove mandados de busca e apreensão pela Operação Miragem, que apura crimes contra o sistema financeiro. A diligência busca desarticular suspeitas de um esquema fraudulento no Digimais, banco do bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da RecordTV.

A decisão judicial da Justiça Federal em São Paulo autoriza o bloqueio de bens de até R$ 670 milhões e a quebra de sigilos bancário e fiscal dos investigados.

As investigações da PF apontam suspeitas de que os envolvidos no esquema do Digimais teriam manipulado demonstrativos contábeis e registros para ocultar a real situação financeira da instituição. O objetivo era mostrar boa saúde financeira diante dos órgãos de controle para conseguir viabilizar operações irregulares.

Procurado por telefone via Igreja Universal do Reino de Deus, o bispo não retornou o pedido de comentários sobre a operação até a publicação desta reportagem. O Digimais também foi procurado via assessoria de imprensa via WhatsApp e e-mail, sem retorno.

A corporação investiga os crimes de gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e realização de operação de crédito vedadas, atividades que fazem parte da lista de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.

A entrada do bispo no mundo financeiro se deu em 2020, quando ele comprou o antigo banco Renner, ligado à família que fundou a varejista de roupas. Com a aquisição, o nome mudou para Digimais, a sede foi transferida do Rio Grande do Sul para São Paulo.

O Digimais enfrenta anos de deterioração financeira e foi objeto de reinvestimentos e de tentativas de venda. Em abril, o BTG Pactual fechou um acordo de intenção de compra com a instituição.

Procurado pela reportagem sobre a compra, o BTG disse que não comentaria neste momento. O FGC (Fundo Garantidor de Créditos), que atuaria financiando o negócio, também foi questionado sobre a continuidade da transação, mas não respondeu até a conclusão deste texto.

As chances de o negócio ser fechado se reduziram bastante, segundo uma pessoa com conhecimento do assunto. Além de a operação da PF pesar sobre o futuro do negócio, o Digimais já não vinha cumprindo algumas condições exigidas para a aquisição, acrescentou essa pessoa.

Um outro interlocutor próximo às negociações afirmou à reportagem que o destino do banco está nas mãos do Banco Central.

Nesta segunda (22), véspera da Operação Miragem, a agência de classificação de risco Fitch piorou e retirou a avaliação sobre o banco Digimais. A empresa alegou falta de informações atualizadas e muitas incertezas em torno da instituição, como a venda para o BTG e processos judiciais envolvendo ativos originados pelo Banco Master.

Em meio a esta situação, o banco de Macedo investiu R$ 3 bilhões em fundos de investimento cujas demonstrações financeiras não puderam ser auditadas por falta de documentos. O montante representa 73% do total investido neste tipo de ativo, segundo alerta feito pela auditoria Clifton Larson Allen Brasil no balanço do segundo semestre de 2025 do Digimais.

A informação sobre os investimentos em fundos não auditados foi divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela reportagem.

Ainda segundo a auditoria do Clifton Larson Allen Brasil, o Digimais investiu em cotas de fundos em participações recém-criados com valorização de 178% em poucos meses. No balanço do segundo semestre de 2025, o banco adquiriu R$ 357,6 milhões em cotas desses fundos no segundo semestre do ano passado, sem especificar o mês. As aplicações passaram a valer R$ 997,5 milhões em dezembro.

Esse salto, destaca a auditoria, gerou no semestre um resultado positivo de R$ 639,8 milhões para o banco, em uma operação da qual “não foi possível avaliar a razoabilidade ou potenciais ajustes decorrentes dos efeitos das avaliações” porque os fundos ainda não possuíam demonstrações financeiras auditadas na época da publicação do balanço.

Veja quem foi alvo da operação

Entre os alvos de busca e apreensão estão diretores e conselheiros do Digimais, além de diretores da gestora de fundos ID Serviços Financeiros, que prestava serviços para o banco de Edir Macedo. Ambas as empresas foram procuradas e não responderam até a publicação deste texto.

A reportagem também procurou o advogado Newton Pavan, que atua para a gestora ID, e não teve resposta.

A PF cumpriu mandados em endereços ligados a:

  • – Marcelo de Lima Brasil, diretor jurídico do Digimais
  • – João Alves de Campos, presidente interino do banco
  • – Rodrigo Ruggero, diretor contábil do banco
  • – João Luiz Urbaneja, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus e conselheiro do Digimais
  • – Thiago Rodrigues Urbaneja, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus e conselheiro do Digimais
  • – José Roberto Giancoli Filho, gestor de fundo do Digimais adminsitrado pela ID Serviços Financeiros
  • – Rodrigo Balassiano, diretor da ID Serviços Financeiros
  • – Banco Digimais
  • – ID Serviços Financeiros





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