O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira (2) que o governo Luiz Inácio Lula da Silva não aceitará discutir o Pix nas negociações comerciais em andamento com os Estados Unidos. Segundo ele, o sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central é um símbolo da soberania financeira brasileira e será protegido diante da ofensiva do governo de Donald Trump.
A declaração ocorre em meio à escalada das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, após a Casa Branca recomendar a imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e incluir o sistema de pagamentos brasileiro em críticas feitas no âmbito de uma investigação comercial aberta contra o país, conduzida no âmbito da investigação 301 da legislação comercial norte-americana.
Segundo documentos do governo norte-americano, o Pix teria sido favorecido por políticas públicas brasileiras, com exigências de adoção ampla por instituições financeiras e gratuidade para usuários, o que, na visão de Washington, teria prejudicado empresas privadas estrangeiras que atuam no setor de pagamentos eletrônicos.
“O Pix é o maior símbolo da nossa soberania financeira”, afirmou Durigan. Segundo ele, o sistema desenvolvido pelo Banco Central representa uma inovação reconhecida internacionalmente e despertou interesse de diversos países por sua facilidade de uso e baixo custo.
O ministro destacou que o Pix não fará parte de qualquer negociação entre Brasília e Washington.
“O Pix, como esse símbolo maior da nossa soberania financeira, será protegido, será resguardado pelo governo do presidente Lula e não está em nenhum momento em questão para debate”, declarou.
Críticas à família Bolsonaro
Durigan também associou a ofensiva contra o sistema de pagamentos à atuação da família Bolsonaro junto ao governo de Donald Trump, afirmando que há uma articulação política que também se manifesta em outras frentes da relação bilateral, como nas discussões sobre segurança e comércio.
Ao comentar a investigação comercial e as discussões sobre a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelos Estados Unidos, o ministro afirmou que há interesses políticos envolvidos nas medidas.
“Mais uma vez a família Bolsonaro faz um movimento contrário ao Pix”, disse.
Durigan também afirmou que o cenário internacional atual contribui para aumento do desarranjo econômico global, citando conflitos internacionais como a guerra no Irã, que segundo ele afetam cadeias produtivas e elevam o custo de combustíveis, com impacto indireto no Brasil.
O governo, disse ele, tem adotado medidas para mitigar os efeitos sobre famílias, caminhoneiros e setores produtivos.
O ministro criticou a recomendação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, afirmando que a medida prejudicaria diretamente empresários e trabalhadores.
“Quando se fala em 25% de tarifa, você está falando que o empresário brasileiro, quando vai mandar um produto para os Estados Unidos, está sendo taxado. Isso é muito ruim para nossa economia, para o empresário brasileiro e para o trabalhador brasileiro”, afirmou.
Investigação dos EUA e revisão de premissas
Durigan afirmou ainda que as premissas que embasaram a abertura da investigação comercial norte-americana em 2025 estão desatualizadas e precisam ser revistas, incluindo dados sobre meio ambiente, mercado de trabalho e inovação.
Segundo ele, o Brasil tem avançado no combate ao desmatamento, na melhora da renda das famílias e na formalização do mercado de trabalho, além de respeitar a propriedade intelectual — o que, segundo ele, beneficia inclusive empresas norte-americanas.
O ministro também destacou que empresas de tecnologia (big techs) operam no Brasil respeitando a legislação local e que o Pix ampliou a competição no setor de pagamentos, com impacto inclusive sobre operadoras de cartões de crédito.
Apesar do tom duro, Durigan indicou que um acordo com os Estados Unidos ainda é possível, desde que as premissas da investigação sejam atualizadas. Ao final, reforçou que o sistema de pagamentos não está em discussão.
“O Pix vai ser protegido e está fora de questão”, concluiu.






