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Porta-voz de Milei renuncia; acusação de ocultar US$ 500 mil


Por Brasil Fato

O porta-voz do governo da Argentina, Manuel Adorni, renunciou ao cargo nesta sexta-feira (19) após acusações de enriquecimento ilícito e ocultação de patrimônio. Adorni continuará com o seu outro cargo: de chefe de Gabinete do presidente Javier Milei.

Uma das figuras mais próximas de Milei, Adorni admitiu na semana passada que ocultou US$ 500 mil (cerca de R$ 2,6 milhões) em suas declarações de bens.

Ele afirmou que se tratava de economias “não declaradas” provenientes de investimentos em criptomoedas entre 2014 e 2018, contradizendo declarações dadas ao Congresso argentino em abril, nas quais afirmava que “nunca houve ocultação alguma”.

O caso é investigado pela Justiça Federal há cerca de três meses, com suspeitas de compra e reforma de imóveis superfaturadas. Entre os fatos curiosos das investigações, está o recibo de compra de roupa de cama, mesa e banho por cerca de US$ 5,6 mil (R$ 28,9 mil).

Ao canal de notícias LN+, Adorni disse que apresentou uma declaração revisada com correções ao Escritório Anticorrupção nesta semana. “É claro que cometi um erro. Pagarei todos os impostos que devo, todas as multas, todos os juros, tudo o que decorrer desse erro”, afirmou.

Ele disse ainda que não declarou o montante anteriormente porque uma maneira de “escapar do velho sistema político era ter economias não contabilizadas”. Na Argentina, há uma desconfiança da população sobre o sistema bancário, o que provoca uma dolarização da economia.

Consultor econômico e professor universitário, Adorni, de 46 anos, trabalhou para vários veículos de comunicação antes de assumir o cargo de porta-voz presidencial em 2023. Tornou-se também chefe de Gabinete em novembro de 2024,

Com uma retórica tão afiada quanto a de seu chefe Milei, o ex-porta-voz protagonizou diversas polêmicas com autoridades. Antes mesmo de assumir o posto no governo, Adorni se destacava pelas provocações contra políticos e a esquerda.

Em 2023, ao ganhar um prêmio de melhor twitteiro argentino, discursou com uma retórica semelhante à dos bolsonaristas: “Eu quero que os criminosos, os corruptos, os ladrões, tudo o que não é bom para a Argentina, fiquem de um lado, e as pessoas de bem, do outro”.

Em 2024, o então ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, chamou Adorni, que já estava no governo, de “cara de pau”, por defender a presença de navios próximos à fronteira da Venezuela. “O que você pode esperar de um burro além de um coice?”, respondeu o argentino.

No final de fevereiro, o porta-voz também chamou a atenção ao rebater uma declaração do papa Francisco, que havia afirmado que o Estado tem um “papel mais importante do que nunca” para garantir a justiça social. “Em algumas [frases do papa] não concordamos, e é muito bom que assim seja. Em todo caso, o papa é um líder espiritual e nós governamos a Argentina, com problemas por todos os lados”, disse Adorni.

O próprio Adorni anunciou sua saída após uma reunião com o presidente argentino, Javier Milei. Ele também disse que será substituído por Adrián Ravier, que atuará como o novo porta-voz presidencial.

O escândalo com Adorni afetou a popularidade de Milei, que registrou, no fim de abril, 63% de reprovação e apenas 35% de aprovação.





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