Por Esmael Morais – Blog do Esmael
O Partido dos Trabalhadores do Paraná (PT-PR) protocolou, em 1º de novembro de 2026, um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) para investigar se autoridades estaduais e municipais ajudaram ou se omitiram diante da fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, com passagem pela região da tríplice fronteira.
A iniciativa foi anunciada pelo deputado estadual Arilson Chiorato, presidente estadual do partido, que quer esclarecer quem facilitou a travessia do senador e de sua família para a Argentina.
O pedido de CPI ocorre um dia depois de o Blog do Esmael antecipar que deputados estaduais discutiam a criação de uma comissão para investigar o que chamou de queijo suíço na fronteira, em referência às brechas utilizadas na região de Foz do Iguaçu para a saída de brasileiros procurados pela Justiça e à possível omissão de agentes públicos paranaenses.
Em publicação nas redes sociais, Chiorato afirmou que a investigação precisa esclarecer se houve ajuda ou omissão de autoridades do Paraná. O parlamentar também citou a reportagem do Fantástico, da TV Globo, sobre o trajeto utilizado por Flávio Bolsonaro para deixar o Brasil.
“Acabei de protocolar um pedido de CPI! Queremos investigação já!”, declarou o deputado em vídeo publicado no Instagram.
A CPI na Alep poderá abrir uma frente de investigação política sobre a estrutura de apoio que permitiu a saída do senador do país. O objetivo anunciado pelo PT é verificar se houve participação de agentes públicos, facilitação logística ou negligência de autoridades responsáveis pela segurança no território paranaense.
Fantástico apresenta novos detalhes da operação
A reportagem exibida pelo Fantástico neste domingo (1º) acrescentou informações importantes sobre a logística da saída de Flávio Bolsonaro.
Documentos da imigração argentina apresentados pelo programa mostram registros de entrada do senador pela fronteira terrestre, enquanto outras informações reunidas pela investigação apontam para a possibilidade de deslocamentos por aeronaves particulares entre Brasília, Buenos Aires, Cascavel e a região de Puerto Iguazú.
Um dos pontos apresentados envolve a mulher e as duas filhas de Flávio. Segundo a reportagem, elas teriam viajado de avião até Cascavel, no oeste do Paraná, e seguido posteriormente em uma van até a fronteira argentina.
Imagens exibidas pelo programa mostram um veículo chegando ao hangar do aeroporto de Cascavel às 20h02 de 27 de outubro. A van foi identificada como pertencente à empresa Iguaçu Dallas Travel Turismo, de Foz do Iguaçu.
A reportagem também identificou uma segunda van, que teria transportado o senador e outros passageiros. Entre os nomes associados ao veículo estão o advogado Roberto Jorge Alexandre e o israelense Menachem Boki Halevi.
A sequência de deslocamentos, os registros migratórios e a utilização de estruturas aeroportuárias no Paraná ampliam o interesse parlamentar sobre a operação.
O Fantástico, entretanto, não apresentou uma conclusão definitiva sobre todo o trajeto percorrido pelo senador. As diferentes versões continuam sob investigação.
A Polícia Federal também investiga a rota
A Polícia Federal (PF) já abriu investigação para reconstruir os deslocamentos utilizados por Flávio Bolsonaro e identificar eventuais colaboradores.
A corporação informou que não encontrou registro de saída do senador pelos postos oficiais de controle migratório brasileiros. A entrada na Argentina foi confirmada pelo governo de Javier Milei.
A PF também solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) medidas cautelares depois de identificar risco de fuga. O ministro Alexandre de Moraes determinou a entrega dos passaportes e proibiu a saída do país.
A saída de Flávio ocorreu apesar dessas determinações judiciais. A corporação investiga as circunstâncias do episódio, inclusive a eventual utilização de rotas alternativas e estruturas privadas.
A investigação estadual, caso seja instalada, terá de delimitar suas atribuições. O controle migratório é competência federal, mas a Alep pode apurar a eventual participação de agentes estaduais e municipais, o uso de estruturas públicas paranaenses e possíveis falhas de cooperação entre órgãos de segurança.
Queijo suíço na fronteira vira problema político
A iniciativa do PT-PR dá consequência institucional à discussão antecipada pelo Blog do Esmael no sábado (31).
Na reportagem Foz do Iguaçu: a rota da fuga de Flávio Bolsonaro, o Blog mostrou como a tríplice fronteira se tornou uma rota utilizada por brasileiros ligados ao bolsonarismo que deixaram o país para escapar de processos judiciais.
O levantamento também abordou a presença de foragidos do 8 de Janeiro na região, a circulação entre Brasil, Argentina e Paraguai e as suspeitas sobre possíveis redes de apoio.
A nova CPI pretende levar essa discussão para dentro do Legislativo paranaense.
O caso também cria uma questão política para o governo de Ratinho Junior (PSD). Até o momento, o governador não havia apresentado esclarecimentos públicos sobre a passagem de Flávio Bolsonaro pelo território estadual.
O senador Sergio Moro (PL), eleito com votação expressiva no oeste paranaense, também não havia explicado publicamente o episódio.
A investigação parlamentar poderá alcançar órgãos estaduais e administrações municipais, desde que existam fatos determinados e elementos que justifiquem a convocação de autoridades e a requisição de documentos.
O desafio do PT-PR será transformar o pedido em uma CPI efetivamente instalada. Para isso, a proposta precisa cumprir os requisitos regimentais, entre eles o apoio mínimo de um terço dos deputados estaduais.
Se instalada, a comissão terá de responder a perguntas objetivas: quem organizou os deslocamentos? Quais estruturas aeroportuárias foram utilizadas? Houve conhecimento prévio de autoridades locais? Algum agente público facilitou a passagem? Existiram omissões que poderiam ter sido evitadas?
Não há, até o momento, comprovação de participação criminosa de autoridades paranaenses. A suspeita anunciada pelo PT é justamente o objeto da investigação pretendida.
A fuga de Flávio Bolsonaro deixou de ser apenas um episódio envolvendo a fronteira internacional. Com o pedido de CPI, o caso passa a integrar a disputa política e institucional no Paraná.
Acompanhe a investigação sobre a fuga de Flávio Bolsonaro e os bastidores da política paranaense no Blog do Esmael.






