Relato de Monalisa, mãe da pequena Vitória, amplia cobrança por esclarecimentos sobre mortes na unidade pediátrica da Zona Leste de Manaus
A morte de seis crianças no Hospital e Pronto-Socorro da Criança da Zona Leste, conhecido como Joãozinho, provoca indignação e aumenta a pressão por respostas do Governo do Amazonas sobre as condições da assistência pediátrica na rede pública estadual.
Entre as famílias atingidas está a de Monalisa, mãe da pequena Vitória. Em um relato carregado de dor, ela cobra providências das autoridades e explicações sobre o que aconteceu dentro de uma unidade que deveria representar segurança e atendimento especializado para crianças.
Vitória não volta para casa. Para sua mãe, porém, permanece uma pergunta que precisa ser respondida: as mortes poderiam ter sido evitadas?
Seis mortes exigem investigação e transparência
A ocorrência de seis óbitos em uma unidade pediátrica exige esclarecimentos técnicos individualizados. É necessário saber quais eram os quadros clínicos das crianças, as causas oficialmente registradas das mortes, quando ocorreram, quais procedimentos foram adotados e se existia alguma relação entre os casos.
Também precisam ser esclarecidas as condições de funcionamento do hospital nos períodos correspondentes: disponibilidade de médicos e demais profissionais, medicamentos, equipamentos, leitos, exames e estrutura de atendimento.
Sem a conclusão das investigações, não é possível afirmar que os seis óbitos tenham sido provocados por falhas do hospital ou que possuam uma causa comum. Mas a gravidade dos relatos e o número de famílias atingidas tornam indispensáveis transparência e apuração rigorosa.
Monalisa cobra respostas
O relato de Monalisa transforma números em uma realidade muito mais dura. Para uma mãe que perdeu a filha, estatísticas administrativas não substituem respostas.
Ela quer saber o que aconteceu com Vitória.
E essa cobrança não deveria ser tratada como disputa eleitoral. É uma questão de saúde pública e de responsabilidade do Estado com as famílias que entregam seus filhos aos cuidados da rede pública.
O governador Roberto Cidade e o secretário estadual de Saúde, Luiz Alberto Saraiva, precisam apresentar informações claras sobre os casos e dizer quais providências foram adotadas após as mortes.
Amazonas ainda carrega as marcas da pandemia
A revolta também desperta uma memória especialmente dolorosa para os amazonenses.
Durante a pandemia de Covid-19, Manaus enfrentou o colapso do sistema de saúde e a crise de oxigênio de janeiro de 2021, episódio que se tornou um dos símbolos mais traumáticos daquele período.
Por isso, qualquer denúncia envolvendo mortes e possíveis problemas na assistência hospitalar encontra uma sociedade que já conhece as consequências de falhas graves na saúde pública.
A comparação histórica não significa afirmar que as situações sejam equivalentes. Significa que o Amazonas tem razões de sobra para exigir prevenção, fiscalização e transparência antes que problemas se transformem em novas tragédias.
Uma mãe não pode ficar sem resposta
As circunstâncias das seis mortes precisam ser esclarecidas pelas autoridades sanitárias e pelos órgãos responsáveis pela fiscalização.
Se houve falha, é necessário identificar responsabilidades. Se os óbitos decorreram exclusivamente da gravidade dos quadros clínicos, isso também precisa ser demonstrado com transparência às famílias.
No centro de tudo está uma mãe que perdeu a filha.
Monalisa merece saber o que aconteceu com Vitória. As outras famílias também. E a população do Amazonas tem o direito de saber se o hospital destinado a cuidar de suas crianças está funcionando com todas as condições necessárias para salvar vidas.






