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Tarifaço: Trump transforma autonomia do Brasil em delito comercial, diz jornal britânico


Em editorial publicado nesta terça-feira (14), o jornal britânico The Guardian afirma que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usa acusações comerciais e tarifas contra o Brasil para atacar a autonomia do país. O jornal afirma que “Trump rejeita a defesa” que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz da soberania brasileira.

“A ameaça de tarifas de Donald Trump enquadra os esforços do Brasil para proteger sua democracia como uma prática comercial desleal — e confere ao bolsonarismo um palco em Washington”, afirma o editorial do jornal.

“Lula quer que o Brasil tenha capacidade de fiscalizar a desinformação antidemocrática [dentro do país]. Trump acredita que os EUA deveriam ter jurisdição sobre o espaço informacional do país”, diz o editorial.

Os Estados Unidos deve anunciar até esta quarta-feira (15) se vai aplicar novas tarifas contra o Brasil como parte de uma grande investigação sobre práticas comerciais brasileiras consideradas injustas pela Casa Branca, incluindo ataques ao Pix.

O editorial do The Guardian afirma que, em junho, o Supremo Tribunal Federal (STF) reagiu à disseminação de desinformação que, segundo o jornal, contribuiu para a tentativa de golpe liderada por Jair Bolsonaro após as eleições de 2022.

Segundo o periódico britânico, a Corte decidiu que plataformas de redes sociais podem ser responsabilizadas por determinados conteúdos publicados por usuários, obrigando empresas como X e Meta a remover mensagens de ódio e conteúdos considerados antidemocráticos.

O texto afirma que, um mês depois dessa decisão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, alegando que o Judiciário brasileiro teria obrigado empresas americanas de tecnologia a retirar do ar conteúdos de caráter político.

O Guardian também aborda as críticas feitas pelos Estados Unidos ao Pix. Para o jornal, a discussão envolve a soberania sobre a infraestrutura financeira brasileira e a possibilidade de países da América Latina desenvolverem sistemas públicos de pagamento independentes do controle norte-americano.

Segundo o editorial, o Pix foi criado para reduzir a dependência de redes internacionais de pagamento e proteger o sistema financeiro nacional de eventuais pressões ou sanções externas. O jornal destaca ainda que o modelo representa uma concorrência às bandeiras de cartão, como Visa e Mastercard, ao permitir transações sem a intermediação dessas empresas.

Na análise sobre a política brasileira, o Guardian menciona que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparecem à frente nas pesquisas eleitorais. O jornal descreve Flávio como alguém “menos carismático” que o pai, mas afirma que ele mantém o mesmo discurso antiesquerda, as políticas de endurecimento na segurança pública e as pautas da direita radical.

Flávio Bolsonaro em agenda com Donald Trump
Flávio Bolsonaro em agenda com Donald Trump

O periódico também classifica como “extremamente audacioso” o pedido feito por Flávio Bolsonaro a Donald Trump para que suspendesse a aplicação de tarifas contra o Brasil até a realização das eleições.

Sobre Lula, o editorial o define como um dos políticos “mais bem-sucedidos deste século”. O texto destaca sua trajetória, de operário e líder sindical à Presidência da República, e atribui aos seus governos a redução da pobreza extrema no país. Também lembra que Lula voltou ao poder em 2023 após a anulação das condenações por corrupção pelo Supremo Tribunal Federal.

Na conclusão, o Guardian afirma que “a verdadeira infração do Brasil não é o protecionismo, mas a autonomia”. Para o jornal, Trump interpreta essa busca por soberania como uma prática de discriminação comercial, e considera preocupante que o bolsonarismo adote essa narrativa.

 





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