Por Raquel Lopes
(Folhapress) – O ex-banqueiro Daniel Vorcaro fez um repasse adicional de US$ 1,6 milhão (R$ 8,5 milhões na cotação da época) ao fundo responsável por administrar os recursos para o filme “Dark Horse“, sobre Jair Bolsonaro (PL), segundo reportagem da revista Piauí publicada nesta terça-feira (1º) com base em relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).
O longa-metragem está no centro do desgaste da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, após a revelação de áudios em que ele pede R$ 61 milhões ao então dono do Banco Master para finalizar a obra.
O repasse, de acordo com a reportagem, foi feito ao Havengate Development Fund em 16 de setembro de 2025, quando já eram conhecidas as suspeitas sobre o Master menos de duas semanas antes, o Banco Central havia negado a venda da instituição financeira para o BRB.
Com o novo pagamento, o total repassado pelo ex-banqueiro teria passado de US$ 10,6 milhões (R$ 54,9 milhões em valores atuais) para US$ 12,3 milhões (R$ 63,7 milhões). A revista aponta ainda indícios de outro pagamento, com base em conversas entre Vorcaro e o publicitário Thiago Miranda.
A reportagem procurou a assessoria de Flávio Bolsonaro, mas até o momento não houve retorno.
Em entrevista à Globo na sexta-feira (28), Flávio oscilou entre dizer que “nunca é demais” explicar a relação com Vorcaro e afirmar que o tema está “mais que esclarecido” e é “livro que está fechado, ressignificado e na prateleira”.
Ele voltou a dizer já ter mostrado a prestação de contas, referindo-se a um laudo pericial feito a pedido da Go Up, produtora da obra, que não detalha pontos relevantes sobre o caminho do dinheiro.
Em julho, o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a abertura de inquérito pela Polícia Federal para investigar o caso Dark Horse.
Mendonça havia pedido um parecer ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, a partir de uma solicitação da Polícia Federal. O chefe do MPF (Ministério Público Federal) disse que há elementos suficientes para pedir a abertura formal de um inquérito que apure os repasses.
Ao pedir a investigação, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, disse em entrevista crer que seria necessário instaurar um inquérito que apure o envio de recursos do ex-banqueiro aos EUA sob a justificativa de financiar o filme “Dark Horse”.
Uma das desconfianças é de que esses recursos bancaram despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde ele vive desde fevereiro de 2025, o que ele nega. A PF também quer saber se eles foram usados para outras ações de aliados do ex-presidente Bolsonaro junto ao governo Donald Trump.




