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Lula diz sentir ‘cheiro’ de que juros vão baixar


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou criticar a taxa de juros nesta quinta-feira (18) e afirmou acreditar que a Selic deve começar a recuar em breve. Segundo ele, o atual presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, prestará um grande serviço ao país caso conduza esse movimento de redução.

Em conversa com jornalistas, Lula disse ter a sensação de que o ciclo de juros altos está próximo do fim, comparando a percepção ao “cheiro de chuva” antes de uma mudança no tempo. Apesar disso, ressaltou que respeita a independência formal do Banco Central e afirmou que não fará qualquer tipo de pressão sobre Galípolo.

Para o presidente, uma eventual queda da Selic traria efeitos positivos em cadeia, beneficiando a economia, a indústria, o mercado de trabalho e o próprio governo. Ele afirmou esperar que o comandante do BC compartilhe da mesma leitura de cenário.

Governo avalia que juros elevados travam crescimento

Desde o início de seu terceiro mandato, Lula tem sido um crítico frequente do nível elevado dos juros no país, postura que já adotava durante a gestão do ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto. A avaliação do governo e de representantes de setores produtivos é de que a inflação está sob controle e que juros elevados travam o crescimento econômico, o consumo e o acesso ao crédito.

Atualmente, a inflação acumulada em 12 meses, medida pelo IPCA, está em 4,46%, dentro do intervalo de tolerância da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 3% ao ano, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Pouco antes das declarações, Lula voltou a questionar o modelo de autonomia do Banco Central, aprovado durante o governo Michel Temer. Ainda assim, reforçou sua confiança em Gabriel Galípolo, indicado por ele para comandar a instituição a partir de 2024, destacando que confia integralmente em sua atuação.

“Tenho 100% de confiança no companheiro Galípolo, presidente do Banco Central. Eu nunca fui favorável à presidência do Banco Central. O presidente da República indica o presidente do Banco Central e tira a hora que quiser. O Fernando Henrique Cardoso tirou quantos, Haddad? Uns quatro ou cinco”, destacou Lula, que fez o comentário ao lado do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Do lado do Banco Central, o tom segue mais cauteloso. Na ata mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom), a instituição avaliou que a estratégia de manter os juros elevados por um período prolongado tem ajudado no controle da inflação e no fortalecimento da credibilidade do processo desinflacionário. O documento, porém, não sinalizou cortes imediatos.

Na semana passada, o Copom decidiu manter a Selic em 15% ao ano pela quarta reunião consecutiva, o patamar mais alto desde 2006, reforçando a orientação de estabilidade dos juros por um período prolongado.





ICL Notícias

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