Douglas Stewart Carter, de 71 anos, deixou a prisão em Utah, nos Estados Unidos, na última segunda-feira (28), após passar cerca de 40 anos no corredor da morte. A decisão ocorreu após um novo exame de DNA apontar que o material genético encontrado na cena do assassinato pelo qual ele foi condenado não correspondia ao seu.
Douglas Carter foi condenado à morte em 1985 pelo assassinato de Eva Olesen, tia do então chefe de polícia de Provo, no estado de Utah. A mulher foi baleada e esfaqueada dentro de casa. O homem sempre negou o crime e afirmou que a confissão apresentada no processo foi obtida sob coerção.
O novo exame, recebido pela Justiça em 22 de setembro, mostrou que o sangue encontrado em uma maçaneta e o material genético recolhido no cabo da faca usada no assassinato não pertencem ao homem. Segundo o juiz responsável pelo caso, o resultado enfraquece ainda mais a acusação, mas não encerra o processo. Um novo julgamento está previsto para 2027.
Na época da condenação, não havia evidências físicas que ligassem Carter, um homem negro, à cena do crime. O júri considerou principalmente uma confissão assinada por ele e o depoimento de duas testemunhas que afirmaram que o homem havia se gabado de ter cometido o assassinato de Olesen, que era uma mulher branca.
Anos depois, porém, as duas testemunhas mudaram seus relatos. Localizadas no México em 2011, elas disseram que haviam sido orientadas a mentir pelas autoridades e que receberam dinheiro e outros benefícios para incriminar Carter. Também afirmaram que policiais e promotores fizeram ameaças de deportação contra elas e um de seus filhos.
A Suprema Corte de Utah determinou, no ano passado, que Carter tivesse um novo julgamento após apontar casos de ‘má conduta’ de investigadores no processo. A partir dessa decisão, as provas do crime foram submetidas a uma nova análise de DNA.
Apesar da libertação, Carter continua respondendo pelo caso. A Justiça determinou que ele use uma tornozeleira eletrônica com GPS enquanto aguarda o novo julgamento e proibiu o contato com familiares da vítima.
A defesa afirma que outras informações também foram ignoradas durante a investigação original. Entre elas está o relato de testemunhas que teriam visto um homem branco deixando o local do crime, e que um investigador suprimiu provas que apontavam para outros suspeitos, incluindo o marido da vítima, que morreu em 2009.
Agora, a defesa busca o arquivamento da acusação de homicídio qualificado que ainda pesa contra Carter.
“Se dependesse do estado de Utah, ele teria sido executado há 15 ou 20 anos, antes de descobrirmos a má conduta”, disse o advogado de Carter, Neal Hamilton.




