Governador eleito do Amazonas anuncia intenção de recorrer à Justiça após divulgação de vídeo com imagens da filha ainda criança. Jefferson Coronel e Kellen Veras, citados pelo político, negam participação na produção do material.
Manaus (AM) — A eleição terminou, mas a disputa política no Amazonas ganhou um novo capítulo. Após conquistar o Governo do Estado no segundo turno, realizado no domingo (25), Omar Aziz (PSD) anunciou que pretende buscar na Justiça a responsabilização de pessoas que considera envolvidas na divulgação de uma propaganda eleitoral que utilizou imagens de sua filha ainda criança. Indignado, o governador eleito classificou o episódio como um ataque à família e prometeu levar o caso às últimas consequências.
Durante entrevista coletiva após a vitória, Omar mencionou a candidata derrotada Maria do Carmo (PL), o radialista Jefferson Coronel e a advogada Kellen Veras entre as pessoas que considera responsáveis pelo episódio. Coronel e Kellen negaram qualquer participação na elaboração da peça publicitária.
O vídeo mostra a filha de Omar ainda pequena, sentada no colo do pai, enquanto uma narração apresenta acusações antigas relacionadas à trajetória política do senador. A exposição da criança em meio ao conteúdo eleitoral provocou a reação do governador eleito, que considera a utilização da imagem da filha uma violação dos limites da disputa política.
“Eu vou até as últimas consequências”, afirma Omar Aziz
Em tom de indignação, Omar afirmou que não pretende encerrar o assunto com o resultado das eleições. Segundo ele, o episódio exige uma resposta das autoridades e a identificação dos responsáveis pela produção e divulgação da propaganda.
“Eu digo que a minha adversária, Maria do Carmo, Jefferson Coronel, Kellen, e mais um outro cidadão, são bárbaros. E vão pagar por isso. Eu vou até as últimas consequências pra que eles paguem pelo crime que cometeram contra minha família. Contra uma criança de menor”, declarou.
O governador eleito defendeu que críticas, denúncias e questionamentos fazem parte da vida pública, mas considera inaceitável que familiares, especialmente crianças, sejam utilizados como instrumento de confronto eleitoral.
De acordo com informações publicadas pelo Blog do Hiel Levy, a assessoria jurídica de Omar Aziz confirmou que prepara uma ação judicial relacionada ao episódio. A iniciativa anunciada é atribuída ao governador eleito, enquanto a elaboração das medidas legais cabe à sua equipe jurídica.
Até as informações disponíveis, não havia confirmação de que a ação tivesse sido formalmente protocolada.
Embora Omar tenha defendido punições rigorosas, qualquer eventual responsabilização criminal dependerá da apuração dos fatos e de decisões das autoridades competentes.
Produção da propaganda levanta questionamentos
De acordo com o jornalista Hiel Levy, a peça publicitária teria sido produzida por profissionais de marketing ligados à campanha de Maria do Carmo, sem conhecimento de integrantes locais da equipe.
A publicação também informou que três pessoas apontadas como responsáveis pela produção do material deixaram Manaus durante o fim de semana, antes da confirmação do resultado eleitoral.
As circunstâncias da elaboração e divulgação do vídeo ainda precisam ser esclarecidas. Entre os pontos que poderão ser examinados estão a identificação dos autores, a autorização para utilização das imagens e a participação efetiva de cada pessoa mencionada na controvérsia.
Jefferson Coronel e Kellen Veras negam envolvimento
Após serem citados por Omar Aziz, Jefferson Coronel e Kellen Veras contestaram as acusações e afirmaram não ter participado da produção da propaganda.
Em transmissão ao vivo no Instagram, Coronel declarou que sua atuação na campanha de Maria do Carmo estava concentrada na assessoria de imprensa, sem acesso direto às decisões estratégicas do marketing eleitoral.
O radialista afirmou ter tomado conhecimento do vídeo somente após a repercussão das declarações do governador eleito.
Kellen Veras também negou envolvimento. Segundo informações publicadas pelo Blog do Hiel Levy, a advogada explicou que trabalhava na assessoria pessoal de Maria do Carmo e não participava da elaboração de peças publicitárias.
Os dois afirmaram estar à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos. Até o momento relatado nas informações de origem, não havia confirmação de responsabilidade individual dos profissionais pela produção ou divulgação do conteúdo.
Exposição de criança reacende debate sobre limites da propaganda eleitoral
A controvérsia ultrapassa o embate entre os candidatos e reacende uma discussão sobre os limites éticos e legais da comunicação política, especialmente quando envolve a imagem de crianças e adolescentes.
Embora a crítica a agentes públicos seja legítima e fundamental para a democracia, a utilização de imagens de menores de idade exige cuidados específicos para preservar seus direitos e sua dignidade.
O Estatuto da Criança e do Adolescente assegura proteção à imagem, à integridade moral e à dignidade de crianças e adolescentes. A eventual aplicação dessas garantias ao episódio dependerá da análise das circunstâncias em que o material foi produzido e divulgado.
Nesse contexto, o caso poderá levantar questionamentos sobre a responsabilidade de candidatos, coordenadores e profissionais de comunicação pelo conteúdo utilizado durante campanhas eleitorais.
Governador eleito também promete reforçar segurança pública
Durante a mesma entrevista, Omar Aziz aproveitou para reafirmar o compromisso de ampliar as ações de segurança pública no Amazonas.
“Eu vou governar para todos, mas aos bárbaros eu vou botar na cadeia. Os bárbaros eu coloco na cadeia. As pessoas de bem vão andar tranquilas na cidade porque eu vou fazer o maior programa de segurança pública que esse estado já viu”, afirmou.
A declaração foi feita em meio às críticas aos responsáveis que ele aponta pela propaganda, mas também reforçou uma das prioridades anunciadas para sua futura administração.
Caso poderá ter novos desdobramentos na Justiça
Até as informações disponíveis sobre o episódio, Maria do Carmo não havia apresentado manifestação pública específica sobre as acusações envolvendo a imagem da filha de Omar Aziz.
Caso seja formalizada, a ação judicial anunciada pelo governador eleito poderá levar à análise da autoria da propaganda, das circunstâncias de sua divulgação e da eventual existência de violações legais.
Enquanto os envolvidos apresentam suas versões, o episódio evidencia uma questão que permanece mesmo depois do encerramento das eleições: a disputa pelo poder não elimina a obrigação de respeitar os direitos de crianças e adolescentes.
O resultado das urnas definiu o próximo governador do Amazonas. Já a responsabilidade pela divulgação do vídeo dependerá da apuração dos fatos e das decisões das autoridades competentes.




