spot_imgspot_img

Top 5

Últimas notícias

PF aponta que Digimais manteve ativos inflados após alerta


Por Cleber Lourenço

A investigação da Polícia Federal que levou à operação contra o Banco Digimais teve origem em um processo de supervisão do Banco Central que já havia identificado irregularidades relevantes na instituição financeira antes mesmo da deflagração das buscas.

Segundo a representação encaminhada à Justiça Federal, as apurações tiveram início a partir do Processo Eletrônico nº 303924, instaurado pela área de supervisão do Banco Central. O material foi posteriormente compartilhado com o Ministério Público Federal e incorporado ao inquérito conduzido pela Polícia Federal.

De acordo com a investigação, o Banco Central identificou irregularidades atribuídas a administradores da instituição, incluindo a inserção de informações falsas em demonstrativos contábeis e a realização de operação vedada entre o banco e sua controladora.

Um dos principais pontos apontados pela fiscalização envolve a reavaliação de ativos vinculados ao Hermon Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios Não Padronizados. Segundo os documentos, ativos originalmente adquiridos por aproximadamente R$ 71 milhões passaram a ser registrados nos balanços por R$ 741,3 milhões após sucessivas reavaliações.

Diante das inconsistências, o Banco Central determinou, em outubro de 2023, a reversão dos lançamentos e o retorno dos ativos ao valor original de aquisição. O banco chegou a solicitar que os efeitos contábeis fossem diluídos ao longo de cinco anos.

A investigação da Polícia Federal, entretanto, aponta que a instituição financeira adotou posteriormente uma operação que permitiu a manutenção dos valores questionados nos demonstrativos contábeis.

Segundo a representação, em dezembro de 2025 o Digimais celebrou um contrato de venda das cotas do fundo para sua própria controladora, a B.A. Empreendimentos e Participações, pelo valor de R$ 741,3 milhões. O pagamento teria sido previsto apenas para 2032, sem ingresso imediato de recursos no caixa da instituição.

A Polícia Federal afirma que a operação produziu o efeito de manter nos balanços os valores decorrentes das reavaliaanseguinte, a equipe de fiscalização verificou que o contrato de alienação de cotas resultou na manutenção dos valores gerados pelas reavaliações de ativos nos demonstrativos de contabilidade do Banco Digimais”, registra a representação.

Para os investigadores, a operação teria funcionado como uma forma de contornar a determinação expedida pelo órgão regulador.

“A manobra de venda a prazo das cotas objetivou manter a aparência de riqueza nos balanços da instituição financeira”, afirma o documento da investigação.

A PF também aponta que a operação teria ultrapassado os limites regulatórios de exposição de crédito previstos nas normas do Conselho Monetário Nacional. Segundo os investigadores, a extrapolação alcançou aproximadamente R$ 699 milhões.

Além disso, a remuneração estabelecida na operação — IPCA acrescido de 0,5% ao ano — levou a investigação a concluir que a transação possuía características típicas de uma operação de crédito concedida à própria controladora da instituição.

Os fatos investigados podem configurar crimes de gestão fraudulenta, inserção de informações falsas em demonstrativos financeiros, indução do mercado a erro e operação de crédito vedada entre instituição financeira e controlador.

A sequência dos acontecimentos descrita na investigação indica que as suspeitas envolvendo o Digimais já eram conhecidas pelo Banco Central antes da operação policial. Segundo a Polícia Federal, as medidas adotadas posteriormente pela instituição teriam permitido a preservação dos valores questionados pela fiscalização, tornando os achados do órgão regulador um dos principais pilares da investigação criminal.

 





ICL Notícias

CANAL TREZZENEWS

trezzenews