A Polícia Federal revelou nesta quinta-feira (8) que irá abrir um inquérito para investigar as circunstâncias e causas prováveis do incêndio que atingiu o antigo prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em Recife.
O incêndio de grandes proporções que destruiu laboratórios da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife, na noite desta quarta-feira (7), provocou um prejuízo estimado em R$ 100 milhões e a perda de materiais científicos acumulados ao longo de 20 anos.
O fogo desta quarta-feira (7) ocorreu um dia depois de uma manifestação realizada por estudantes da UFPE em defesa da democracia e em apoio à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de 2026.
Segundo o reitor Alfredo Gomes, o fogo atingiu o antigo prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine), na Cidade Universitária, onde funcionavam laboratórios de fármacos, informática, genética e o Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica.
Em entrevista à TV Globo, o reitor afirmou que aproximadamente 100 tipos de pesquisas eram desenvolvidos no local, incluindo trabalhos de estudantes de graduação, mestrado, doutorado e professores.
“Tínhamos muitos equipamentos dentro do prédio, sobretudo no primeiro andar, e absolutamente tudo foi destruído pelo incêndio. Cremos que nós tínhamos ali aproximadamente 100 tipos diferentes de pesquisas. Assim como amostras que se acumulam ao longo de 20 anos. Então é uma perda irreparável para a Universidade Federal de Pernambuco”, lamentou Alfredo Gomes.

O Corpo de Bombeiros mobilizou cinco viaturas para combater as chamas. O trabalho foi encerrado por volta das 5h desta quinta-feira (8). Apesar da destruição, ninguém ficou ferido. Segundo a corporação, parte dos laboratórios do pavimento inferior foi preservada.
A universidade informou que a presença de produtos químicos e outros materiais armazenados contribuiu para a rápida propagação do fogo.
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Ameaças políticas e investigação da PF
O incêndio ocorreu um dia depois de estudantes da UFPE realizarem uma manifestação em defesa da democracia e em apoio à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais.
Nas redes sociais, estudantes e pesquisadores relataram ameaças atribuídas a grupos extremistas contra instalações da universidade. O deputado federal eleito por Pernambuco Jones Manoel (PSOL) divulgou mensagens que mencionavam possíveis ataques, incluindo uma ameaça de “explodir o departamento”.
Algumas das mensagens, cuja autenticidade ainda não foi confirmada, atribuíam o suposto ataque a apoiadores do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Até o momento, não há evidências de que os incêndios tenham relação com as ameaças ou motivação política.
Jones afirmou que pretende solicitar uma investigação imediata à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal (MPF) para esclarecer a possibilidade de ação criminosa.
A PF informou que enviou peritos à universidade e que instaurará um inquérito para apurar as circunstâncias e as possíveis causas do incêndio.
Três incêndios em uma semana
A sequência de ocorrências começou em 30 de setembro, quando um incêndio atingiu um laboratório do Departamento de Física. Segundo a UFPE, a suspeita inicial é de que o fogo tenha começado em uma câmara de alta temperatura utilizada para aquecer substâncias.
No domingo (4), outro incêndio foi registrado no laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências. Nenhum dos episódios deixou feridos.
Diante dos prejuízos, a reitoria procurou os ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação para buscar apoio à recuperação da estrutura e das atividades científicas.
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, lamentou a destruição e afirmou que o governo federal acompanha as investigações e está à disposição para auxiliar a universidade.




