Por Cristina Camargo e Alexa Salomão
(Folhapress) – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a mulher, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e as duas filhas entraram na Argentina na noite desta terça-feira (27) pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones, segundo informações da Direção Nacional de Migrações da Argentina.
“A Direção Nacional de Migrações informa que às 22h50 do dia 27/10 ingressaram pelo passo fronteiriço da Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones, os cidadãos Flavio Nantes Bolsonaro, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, Carolina Figueira Bolsonaro e Luiza Figueira Bolsonaro, que o fizeram com documentação hábil de viagem sem nenhum impedimento legal para o ingresso no país. Os trânsitos foram registrados pela autoridade de aplicação sem incidentes”, diz o comunicado.
Pouco depois, às 23h30, a comitiva teria embarcado em um voo privado da companhia Baires Fly S.A. com destino à cidade de Guayaquil, no Equador, de acordo com o plano. Pouco antes das 6h, a aeronave pousou no Equador, de acordo com a plataforma Flight Radar. Em seguida, decolou novamente com direção a Miami, nos Estados Unidos, em uma viagem de 3h45.
Segundo o piloto Mauro Mattosinho, que monitora a movimentação de aeronaves na Argentina desde a madrugada desta terça, o avião que decolou rumo ao Equador é o mesmo Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, operado pela Baires Fly S.A., em cuja lista de passageiros constaria o nome de Flávio Bolsonaro na véspera.
O senador, porém, não apareceu no horário previsto para o embarque na noite anterior, e a aeronave teria permanecido na pista até por volta da 0h20 desta quarta-feira (28), quando decolou.
Mattosinho disse que o plano de voo previa uma escala em Guayaquil para reabastecimento. O Gulfstream tem autonomia para alcançar os Estados Unidos na rota direta para o norte. A aeronave, porém, teria adotado um trajeto alternativo, que evita o espaço aéreo brasileiro e exige maior consumo de combustível.
A empresa Baires Fly foi procurada pela agência AFP, mas não respondeu de imediato sobre o fretamento do voo.
Segundo a Flight Radar, durante a madrugada o voo ficou em primeiro lugar em número de pessoas acompanhando ao vivo. Quase 4.000 pessoas acompanhavam o deslocamento por volta das 5h30.
Mais cedo, o canal de TV argentino C5N havia afirmado que o senador, ao contrário do que disseram seus aliados à imprensa brasileira, estava em Porto Iguaçú, na província de Misiones, até o começo da madrugada desta quarta.
Veículos de comunicação argentinos noticiaram a chegada de uma van branca ao aeroporto da cidade no final da noite de terça, mas não foi possível identificar os ocupantes do veículo.
O presidente Donald Trump afirmou na noite desta terça que aprovaria a entrada nos Estados Unidos do senador, mas não sabe o paradeiro do aliado.
“Ouvi dizer que ele estava na Argentina, mas não sei onde está agora”, declarou. “Mas eu certamente me aproximaria bastante dele.”
Mais cedo, uma autoridade do Departamento de Estado confirmou à Folha que o governo americano concederá vistos a Flávio e a seus familiares, autorizando a entrada e permanência nos Estados Unidos.
O coordenador de campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN), também afirmou nesta terça desconhecer o paradeiro do candidato derrotado à Presidência da República. Aliados acreditavam que ele teria ido para os Estados Unidos em busca de asilo.
Após a derrota histórica para o presidente Lula (PT) no domingo (25), Flávio afirmou que pediria a anulação das eleições. O pleito foi marcado por problemas de transporte de eleitores e decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Cristiano Zanin para prorrogar o horário de votação.
Na segunda-feira (26), no entanto, o senador gravou um vídeo indicando desistência do questionamento. Ele reclamou da ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, para que entreguasse os passaportes, mas afirmou que ficaria no Brasil e lideraria a oposição.
A deputada argentina Marcela Pagano apresentou uma denúncia criminal ao Ministério Público Federal de Porto Iguaçú, à jurisdição da Ponte Internacional Tancredo Neves e do Aeroporto Internacional da cidade para que a Justiça argentina investigue a entrada do senador no país e a suposta operação montada para levá-lo aos Estados Unidos.
“Se ele entrou, alguém o deixou entrar. A fronteira argentina não é um corredor VIP de ninguém, e as decisões da Justiça de um país parte do Mercosul merecem respeito e cooperação, não cumplicidade”. disse.





