spot_imgspot_img

Top 5

Últimas notícias

Lula e Trump expõem visões antagônicas da ordem global em discursos na abertura da ONU


Por José Bernardes e Maria Teresa Cruz

Os dois principais discursos da abertura da Assembleia Geral da ONU partiram do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Os líderes falaram de temas correlatos, mas o teor dos discursos foi antagônico, expondo a diferença de visão da ordem global entre os dois.

Na avaliação de Sérgio Costa, professor titular de sociologia da Universidade Livre de Berlim, foi uma fala importante e forte, não apenas pela defesa do multilateralismo, mas pela postura de estadista demonstrada por Lula durante o discurso.

“Acho que Lula mostrou bem isso, a importância do multilateralismo para a saúde global, por exemplo. Se não temos multilateralismo, faltam vacinas e doenças erradicadas voltam. Clima e meio ambiente são agendas multilaterais. A prevenção contra as guerras, já que estamos vivendo em um mundo com recordes de guerras, e são guerras de expansão territorial, fato que imaginávamos que tinha ficado no século 20, mas isso volta com uma força muito grande”, afirma ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Já Trump pouco surpreendeu ao defender os interesses de seu país, procurando colocá-lo no centro do mundo. “São interesses imperialistas de uma potência que perdeu espaço no mundo e está querendo recuperar esse espaço”, avalia Costa. O professor destaca o documento que norteia o plano de segurança estadunidense divulgado no final do ano passado, que explicita o objetivo de transformar a América Latina em uma zona de influência, e o Brasil tem se apresentado como um obstáculo.

Trump adotou um discurso violento, falou sobre aniquilar o Irã, fez ameaças diretas a Cuba e não fez nenhuma mea-culpa com relação à Venezuela, admitindo que o interesse sempre foi o petróleo. “Se não tivéssemos uma contraparte em diferentes estados da América Latina disposta a entregar riqueza e soberania nacional aos EUA, a estratégia adotada pelos EUA não funcionaria. Ela se vale de elites que se associam a esse discurso de hegemonia americana, vendendo a pátria para construir mais poder internamente”, explica.

Para Sérgio Costa, uma possibilidade para mudar esse estado de coisas seria Trump amargar uma derrota nas eleições de meio de mandato. Assim, o caminho estaria aberto para que as nações fortalecessem a ordem multipolar. “Acredito que é possível construir o multilateralismo sobre as bases que ele tem hoje. Ou seja, ainda que essas organizações internacionais estejam debilitadas, elas não desapareceram”, defende.





ICL Notícias

CANAL TREZZENEWS

trezzenews