Os preços dos alimentos voltaram a subir no Brasil em setembro, após três meses consecutivos de queda. Segundo dados divulgados nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o grupo de alimentação e bebidas registrou alta de 0,83%, pressionado principalmente pelo encarecimento do tomate, da batata e da cebola.
O aumento ocorreu em meio à aceleração da inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que avançou 0,82% em setembro. Em agosto, o indicador havia registrado deflação de 0,32%, a maior queda mensal desde agosto de 2022.
Entre os produtos consumidos dentro de casa, os preços subiram 0,96% em setembro. Apesar dos aumentos expressivos em diversos itens, alguns alimentos ficaram mais baratos, como o frango inteiro, o frango em pedaços e as frutas, ajudando a conter uma elevação ainda maior das despesas das famílias.
Tomate, batata e cebola puxam alta dos alimentos
O tomate foi um dos principais responsáveis pelo aumento dos preços dos alimentos em setembro, com uma disparada de 37,76% em relação ao mês anterior.
A batata-inglesa também registrou uma elevação expressiva, de 24,07%, enquanto a cebola ficou 10,14% mais cara.
Outro produto importante na alimentação dos brasileiros, o arroz apresentou aumento de 4,56%. Já as carnes tiveram uma alta mais moderada, de 0,63%.
Entre os alimentos com maiores aumentos no mês, o limão se destacou, com uma elevação de 46,42%, superando até mesmo a variação registrada pelo tomate.
Veja alguns dos alimentos que mais encareceram em setembro:
- Limão: +46,42%
- Tomate: +37,76%
- Batata-inglesa: +24,07%
- Cebola: +10,14%
- Arroz: +4,56%
As variações mostram que o encarecimento dos alimentos não ocorreu de maneira uniforme. Enquanto alguns produtos registraram aumentos superiores a 20%, outros tiveram reajustes menores ou apresentaram queda de preços.
Frango e frutas ficaram mais baratos
Na direção contrária, alguns alimentos registraram redução de preços em setembro, contribuindo para aliviar parcialmente o orçamento dos consumidores.
O frango inteiro ficou 1,96% mais barato, enquanto o frango em pedaços apresentou queda de 1,41%. As frutas também registraram recuo, com redução média de 1,12% nos preços.
Outros produtos, como ovos, cenoura e melancia, também apresentaram redução no período.
Confira alguns alimentos que ficaram mais baratos em setembro:
- Ovo de galinha: -4,82%
- Cenoura: -3,75%
- Melancia: -3,20%
- Mamão: -2,88%
- Açúcar refinado: -2,40%
- Frango inteiro: -1,96%
- Frango em pedaços: -1,41%
- Leite longa vida: -0,78%
Apesar dessas quedas, o resultado não foi suficiente para compensar os aumentos registrados em outros produtos, especialmente hortaliças, tubérculos e arroz.
Com isso, a alimentação dentro de casa voltou a apresentar inflação depois de três meses seguidos de redução nos preços.
Comer fora de casa também ficou mais caro
Os consumidores que costumam fazer refeições fora de casa também enfrentaram aumentos em setembro.
Segundo o IBGE, a inflação da alimentação fora do domicílio passou de 0,36% em agosto para 0,48% em setembro.
O preço das refeições teve uma aceleração mais expressiva, passando de uma alta de 0,18% em agosto para 0,49% no mês seguinte.
Já os lanches apresentaram uma desaceleração no ritmo de aumento. A variação passou de 0,62% para 0,47% no mesmo período.
Apesar da redução no ritmo de crescimento dos preços dos lanches, tanto as refeições quanto os lanches ficaram mais caros em setembro.
Inflação chega a 0,82% e todos os grupos registram alta
O aumento dos alimentos ocorreu em um mês de inflação mais elevada para os consumidores brasileiros.
Todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE apresentaram aumento de preços em setembro.
A maior alta foi registrada em habitação, com avanço de 2,31%. O grupo também teve o maior impacto sobre o resultado geral da inflação, contribuindo com 0,35 ponto percentual para o IPCA.
Na sequência aparecem os transportes, que registraram alta de 0,89%, e alimentação e bebidas, com aumento de 0,83%.
O resultado de setembro interrompeu a deflação registrada em agosto e mostrou uma nova pressão sobre o custo de vida das famílias, especialmente em despesas essenciais, como alimentação e moradia.




